
Nascido em 08 de junho de 1921 em Paris, Edgar Nahoum passou a se chamar pelo pseudônimo de Edgar Morin à partir da Segunda Guerra Mundial, codinome de guerra, pois atuava na Resistência Francesa ao regime nazista.
E foi justamente a Segunda Guerra Mundial que ajudou na entrada da vida intelectual do autor: seu primeiro livro O ano zero da Alemanha, lançado em 1946, descrevia a tentativa daquele país de se reerguer física e moralmente após os horrores do regime hitlerista.
Mas a sua entrada no que viríamos a conhecer como “Pensamento Complexo” se deu com a publicação do livro O homem e a morte, em 1951, quando Morin analisa o fenômeno da morte, que o inquietava deste o falecimento de sua mãe, aos 10 anos de idade. À partir daí, Morin desenvolve sua busca intensa por integrar saberes diversos em sua caminhada, na tentativa de explicar o mundo e seus fenômenos.
Depois de ter escrito mais de 80 obras, e centenas de outros manuscritos, Edgar Morin faleceu aos 104 anos, no ano de fundação do nosso Instituto, mas deixou para a humanidade um vasto legado de conhecimento, com contribuições valiosíssimas para a filosofia e para as ciências.
O MÉTODO
A sua obra prima se dá com a escrita de O Método, uma coletânea de 06 volumes onde Morin analisa as limitações, dificuldades e contradições do modelo newtoniano-cartesiano de se fazer ciência, propondo uma reforma do pensamento, por meio da introdução de elementos como a incerteza, a incompletude, fractalidade, caos, dentre outros.
Essa obra levou quase 30 anos para ser escrita, onde o autor inicia em 1977 com o livro O método 1: a natureza da natureza, investigando a fundação físico-química do mundo, a organização da matéria, do espaço, do tempo, e sobre como a natureza se organizou por meio de uma dinâmica de caos, recursividade, construíndo verdadeiros sistemas.
Em O Método 2: a vida da vida, Morin investiga sobre a biologia, a formação das especíes, indivíduos, do sujeito humano, a organização da vida de forma geral. Ele avança para O Método 3: o conhecimento do conhecimento, onde investiga a relação entre ser e conhecer, o cérebro e o conhecimento, a teoria da informação, entre a biologiaantropologia do conhecimento. Posteriormente, em O Método 4: as ideias, habitat, vida, costumes, organização, Morin escreve magistralmente sobre sistemas de crenças, doutrinas, teorias e ideologias.

Seguindo na sua construção teórica, n’ O Método 5: a humanidade da humanidade, Morin se debruça sobre a identidade humana, na condição, ao mesmo tempo, biológica, psicológica, sociológica que este possui. Trata dos dilemas, das contradições, das características deste humano, e de como este é produto e produtor de múltiplas crises.
Finaliza esta obra magistral no ano de 2006, com a publicação de O Método 6: ética, onde investiga sobre a condição moral humana, sobre o destino da humanidade, e sobre elementos importantes como o amor e a fraternidade.
O PENSAMENTO COMPLEXO
De suas observações em diversos campos do conhecimento, surgiram importantes contribuições para a Filosofia das Ciências, nas áreas de epistemologia, ontologia, metodologia, por exemplo, em que Morin inaugura uma verdadeira revolução no campo do pensamento científico: demonstrando princípios que foram ignorados por uma forma disjuntiva, reducionista e mecanicista de fazer ciência, nasce a Teoria da Complexidade, ou, de forma mais ampla, o Pensamento Complexo.
A palavra Complexidade não é empregada como sinal de dificuldade, mas em seu sentido original, como aquilo é que tecido em conjunto, ou seja: Morin tem como interesse demonstrar as relações entre objetos e processos que foram ignoradas na história da ciência moderna, por meio da religação de saberes.
O chamado do Pensamento Complexo é pela integração, pela religação, por tentar reunir aquilo que foi separado pela pedagogia do método newtoniano-cartesiano. Estas relações que outrora foram ignoradas, quando realizadas seguindo princípios que servem como operadores cognitivos, desembocam na construção de ciências ecológicas, ou seja, ciências que levam em consideração os contextos em que são construídas, assim como são caracterizadas pela sua capacidade de dialogarem de forma transversal com outras disciplinas.
Neste sentido, a psicologia, por exemplo, é mais eficaz na medida em que consegue traçar relações com a biologia, economia, direito, sociologia, medicina, antropologia, etc. E é justamente aqui que nasce a ideia do nosso Instituto.
POR UMA PSICOLOGIA QUE PENSE COMPLEXO
A obra de Morin tem grande influência pelo mundo contemporâneo, especialmente na Europa e América Latina: países como a França, México e Brasil são grandes difusores do Pensamento Complexo. Destacamos a importância de Centros de Pesquisa e Educação como o Centre Edgar Morin, vinculado a École de Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris, França; a Multiversidad Mundo Real, em Hermosillo, no México, e o CEP-Edgar Morin, em São Paulo, Brasil.
Estes centros de estudos são fortemente focados em estudos transdisciplinares, e com ênfase em educação, reunindo a colaboração de diversos pesquisadores internacionais. Como fruto de mais de uma década de estudos e pesquisas em psicologia nas suas relações com o Pensamento Complexo, fundou-se em 2026 o Instituto Brasileiro de Psicologia e Pensamento Complexo, a primeira instituição do mundo especializada no tema.
O Pensamento Complexo, como diria Morin, não é o Pensamento Completo, pois sempre está em desenvolvimento e aberto para transformações. Ele não é contrário à especialização, mas sim à hiperespecialização do conhecimento, que fomenta diversas cegueiras no conhecimento. Buscar uma psicologia que seja aberta ao novo, que se relacione com as demais ciências, que não se trate como uma ideologia ou de forma religiosa.
Desta forma, nasceu o IBPPC, liderado pelo Dr. Murillo Rodrigues dos Santos, com a missão de promover o Pensamento Complexo, em suas intelocuções com a psicologia e filosofia.
Saiba mais sobre nossa história, clicando aqui.
Oi, isto é um comentário.
Para iniciar a moderar, editar e excluir comentários, visite a tela Comentários no painel.
Os avatares dos comentaristas vêm do Gravatar.